Com 85 mil participantes e 43% do consumo nacional, modelo cresce entre empresas e prepara nova fase com abertura gradual para baixa tensão
por Redação
22/01/2026, 02h13
O mercado livre de energia fechou 2025 com mais de 21,7 mil novos consumidores e passou a reunir cerca de 85 mil participantes no Brasil. O modelo, que já responde por aproximadamente 43% da eletricidade consumida no país, avança entre empresas, comércios e serviços, enquanto o setor elétrico se prepara para a abertura gradual aos consumidores de baixa tensão, incluindo residências, até 2028.
Mercado livre de energia muda relação com a conta de luz
O mercado livre de energia permite que consumidores escolham de quem comprar eletricidade, negociem contratos e busquem condições comerciais diferentes das oferecidas no modelo tradicional das distribuidoras. Hoje, esse ambiente ainda atende principalmente consumidores conectados em alta tensão, como indústrias, redes comerciais, supermercados, hospitais, shopping centers, condomínios empresariais e empresas de médio porte.
A expansão registrada em 2025 mostra que o modelo deixou de ser restrito aos grandes consumidores. Segundo o Ministério de Minas e Energia, foram mais de 21,7 mil novos consumidores no ano, elevando o total para cerca de 85 mil participantes. O ambiente livre já concentra 43% do consumo nacional de eletricidade, dado que mostra o peso econômico desse mercado na estrutura energética do país.
Na prática, o consumidor que migra para esse modelo deixa de depender apenas da tarifa regulada. Ele passa a negociar preço, prazo, fonte da energia e condições contratuais. Para empresas com conta de luz elevada, essa liberdade pode representar redução de custos, previsibilidade financeira e maior controle sobre uma despesa que afeta diretamente a margem do negócio.
Comércio e serviços puxam nova fase de migração
Os segmentos de serviços e comércio lideraram as migrações em 2025. Dados consolidados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica indicam a entrada de 6.478 consumidores do setor de serviços e 4.098 do comércio no ambiente livre ao longo do ano. O movimento mostra que empresas menores passaram a enxergar a energia como uma decisão estratégica, e não apenas como uma despesa mensal.
Esse avanço tem impacto direto na economia. Um comércio que reduz a conta de luz pode ganhar fôlego para manter preços, investir em atendimento, modernizar equipamentos ou ampliar a operação. Em setores como alimentação, varejo, saúde, hotelaria e tecnologia, a energia elétrica pesa no custo fixo e interfere na competitividade.
O modelo também permite a contratação de energia de fontes renováveis. Para empresas que precisam melhorar indicadores ambientais, atender exigências de clientes ou posicionar a marca de forma responsável, essa escolha começa a ter valor comercial. A energia deixa de ser apenas insumo e passa a fazer parte da gestão de custos e reputação.
Abertura para baixa tensão deve ocorrer até 2028
A próxima etapa será a abertura gradual do mercado para consumidores de baixa tensão. De acordo com o novo marco regulatório do setor elétrico, consumidores industriais e comerciais desse grupo devem ter acesso ao ambiente livre até novembro de 2027. Para os demais consumidores, incluindo residenciais, o prazo previsto é novembro de 2028.
Essa mudança pode alterar a relação do brasileiro com a conta de luz. Hoje, o consumidor residencial compra energia da distribuidora local e paga a tarifa definida dentro do ambiente regulado. Com a abertura, a tendência é que surjam novas ofertas, contratos mais flexíveis e produtos voltados a perfis diferentes de consumo.
A transição, porém, exigirá comunicação clara. Energia elétrica é um serviço essencial, e o consumidor comum não está acostumado a comparar fornecedores, cláusulas, prazos e riscos contratuais. O desafio será criar um ambiente competitivo sem gerar confusão ou ofertas difíceis de entender.
Para pequenos negócios, a abertura pode chegar antes e com maior impacto imediato. Lojas, clínicas, padarias, restaurantes, oficinas, escolas, salões, escritórios e academias poderão avaliar se vale a pena sair do modelo tradicional e contratar energia no ambiente livre. A decisão dependerá do consumo, do histórico de gastos, do perfil de operação e das condições oferecidas pelas comercializadoras.
Crescimento chega a todas as regiões do país
A expansão do mercado livre não ficou concentrada apenas nos grandes centros. Em 2025, houve crescimento em todas as regiões do Brasil. O levantamento citado pelo Ministério de Minas e Energia aponta acréscimos no Nordeste, Centro-Oeste, Norte, Sudeste e Sul, com destaque para a entrada de consumidores também fora dos polos econômicos tradicionais.
Esse dado é relevante porque mostra a capilaridade do modelo. A busca por redução de custos e maior previsibilidade não está restrita às grandes capitais. Empresas instaladas em cidades médias e polos regionais também passaram a avaliar a migração, principalmente quando a energia representa parcela importante das despesas.
A Abraceel já havia apontado que o mercado livre ganhou participação em todos os estados e no Distrito Federal desde janeiro de 2024, período marcado pela liberação de escolha do fornecedor para consumidores de média e alta tensão. A entidade informou que consumidores livres responderam por 42% da eletricidade consumida no país em abril de 2025, ante 36% em janeiro de 2024.
