Estado vence categoria MICE em premiação do setor e confirma força econômica em feiras, congressos, viagens corporativas e grandes encontros
por Redação
02/04/2026, 12h32
São Paulo foi escolhido como vencedor da categoria MICE no M&E Awards – Destinos do Ano 2026, premiação voltada ao reconhecimento de estados brasileiros que se destacaram em áreas estratégicas do turismo. O resultado coloca o estado no centro do debate sobre turismo de eventos em São Paulo, segmento que movimenta hotéis, restaurantes, transporte, centros de convenções, serviços corporativos e uma extensa cadeia de fornecedores.
A sigla MICE é usada no setor para se referir a reuniões, incentivos, congressos e exposições. Na prática, trata-se do turismo ligado a feiras, eventos empresariais, convenções, encontros profissionais e viagens de negócios. Esse mercado tem peso econômico relevante porque envolve visitantes com alto gasto médio, agenda programada, demanda por estrutura qualificada e forte impacto sobre serviços urbanos.
A escolha de São Paulo como destino vencedor nessa categoria não ocorre por acaso. O estado reúne a maior estrutura corporativa do país, centros de convenções de grande porte, rede hoteleira diversificada, aeroportos com ampla conectividade e uma base empresarial que concentra sedes, filiais, entidades, associações e fornecedores. A capital paulista exerce papel central nesse cenário, mas o interior e o litoral também entram na composição de um destino com diferentes perfis de eventos.
O reconhecimento foi divulgado pelo Mercado & Eventos, que destacou a capacidade paulista de receber encontros nacionais e internacionais, sustentada por infraestrutura robusta e pela combinação entre negócios, lazer, gastronomia, cultura e serviços. A publicação também informou que os indicados da premiação foram definidos por curadoria especializada e que os vencedores passaram por votação aberta.
Para a economia, o turismo de eventos tem uma característica importante: ele distribui receita por várias áreas ao mesmo tempo. Um congresso ou uma feira não movimenta apenas o espaço onde acontece. Também aciona hotéis, transporte por aplicativo, táxis, bares, restaurantes, agências, produtoras, montadoras de estandes, gráficas, segurança, limpeza, tecnologia, audiovisual, comunicação, recepção, tradução, turismo receptivo e comércio local.
Esse efeito ajuda a explicar por que destinos disputam o mercado MICE. Diferentemente do turismo de lazer, que depende muito de férias, feriados e sazonalidade, o turismo de negócios costuma ocupar dias úteis e ajuda a manter demanda em períodos de menor fluxo turístico. Para hotéis e restaurantes, por exemplo, esse tipo de visitante pode representar ocupação mais estável e previsível.
São Paulo também se beneficia da variedade de setores econômicos presentes no estado. Eventos de saúde, tecnologia, agronegócio, indústria, educação, varejo, energia, finanças, construção, moda, gastronomia e turismo encontram no estado uma base grande de empresas e profissionais. Isso facilita a formação de público, a atração de expositores e a realização de encontros de diferentes portes.
A WTM Latin America 2026, citada no contexto da entrega do prêmio, ocorreu entre 14 e 16 de abril no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento se apresenta como uma plataforma B2B para a indústria de viagens e turismo na América Latina, reunindo expositores, compradores e profissionais do setor.
O uso do Expo Center Norte como palco da premiação também mostra a força da capital na estrutura de eventos. A cidade reúne espaços como centros de exposição, hotéis com áreas para convenções, auditórios, arenas, universidades, teatros e equipamentos culturais. Essa rede permite atender desde encontros técnicos menores até grandes feiras internacionais.
Apesar do peso da capital, o turismo de eventos em São Paulo não depende apenas da cidade de São Paulo. Cidades do interior têm estrutura para receber congressos médicos, eventos universitários, feiras industriais, encontros do agronegócio, festivais de negócios e eventos regionais. O litoral também participa do mercado, principalmente em encontros corporativos que combinam trabalho, hospedagem e programação de relacionamento.
O governo estadual tratou o prêmio como reconhecimento da capacidade de São Paulo atuar em lazer e negócios. A avaliação oficial aponta que o destino oferece centros de convenções, rede hoteleira para diferentes perfis e atrativos complementares para visitantes que chegam por motivos profissionais. O ponto econômico central, porém, está na capacidade de converter fluxo de eventos em renda, ocupação, arrecadação e oportunidades para empresas locais.
A vantagem paulista também envolve conectividade. Eventos dependem de acesso rápido para participantes de outras regiões e países. A presença de aeroportos com grande volume de voos, a malha rodoviária e a concentração de serviços corporativos reduzem barreiras logísticas e ajudam o estado a competir por encontros nacionais e internacionais.
Ainda assim, o setor enfrenta desafios. Custos altos, trânsito, segurança, hospedagem em períodos de pico e concorrência de outros destinos exigem planejamento constante. A liderança em eventos não se sustenta apenas por tradição. Ela depende de investimento em mobilidade, qualificação de serviços, promoção do destino, modernização dos espaços e capacidade de entregar boa experiência para organizadores e participantes.
Outro ponto importante é a descentralização. Para manter competitividade, São Paulo pode explorar melhor cidades com vocação regional, centros universitários, polos industriais e destinos com boa estrutura hoteleira fora da capital. Essa estratégia reduziria a concentração de eventos em poucos espaços e permitiria que o impacto econômico chegasse a mais municípios.
O avanço do turismo de eventos também dialoga com a economia criativa. Congressos e feiras costumam gerar demanda por conteúdo, comunicação, design, cenografia, produção audiovisual, tecnologia, marketing digital e relacionamento comercial. Para pequenas e médias empresas que atuam nesses segmentos, o calendário de eventos pode representar contratos, recorrência e visibilidade.
A premiação recebida por São Paulo não elimina a necessidade de indicadores concretos sobre geração de receita, empregos, ocupação hoteleira e retorno dos investimentos públicos e privados em promoção turística. No entanto, o reconhecimento ajuda a posicionar o estado em um mercado competitivo, no qual destinos buscam atrair eventos de maior valor agregado.
Para o Gazeta da Economia, o tema merece atenção porque o turismo de eventos não é apenas agenda institucional. Ele envolve negócios, fluxo de visitantes, consumo, infraestrutura e oportunidades para empresas. A vitória na categoria MICE confirma a força de São Paulo nesse segmento, mas o desafio agora é transformar essa posição em crescimento sustentado, com benefícios distribuídos entre capital, interior, litoral e cadeia produtiva.
