Pesquisa global mostra 42,5 milhões de adultos interessados em abrir um negócio nos próximos três anos, número que coloca o país atrás apenas da Índia
por Redação
22/05/2026, 13h45
O Brasil tem 42,5 milhões de adultos que ainda não possuem negócio próprio, mas desejam empreender nos próximos três anos. O dado coloca o país na segunda posição mundial em população potencial empreendedora, atrás apenas da Índia, que soma cerca de 150 milhões de pessoas nesse grupo. O levantamento faz parte do Monitor Global de Empreendedorismo, conhecido pela sigla GEM, pesquisa realizada em 110 economias e conduzida no Brasil pelo Sebrae.
O resultado mostra a força do empreendedorismo como caminho de renda, autonomia e mobilidade econômica no país. O número brasileiro supera o de economias como Estados Unidos, com 20 milhões de empreendedores potenciais, Egito, com 16 milhões, e México, com 11 milhões. A posição mantém o Brasil no mesmo patamar registrado na edição anterior da pesquisa, feita em 2024.
A leitura do dado exige atenção. O número de pessoas interessadas em abrir um negócio não significa, necessariamente, que todos conseguirão empreender. Entre o desejo e a abertura efetiva de uma empresa há barreiras como acesso a crédito, qualificação, burocracia, renda limitada, falta de planejamento, informalidade e dificuldade para manter o negócio nos primeiros anos.
Ainda assim, o volume de brasileiros dispostos a empreender revela uma característica importante da economia nacional. Em um mercado de trabalho marcado por instabilidade, informalidade e busca por renda complementar, abrir um pequeno negócio aparece para muitos brasileiros como alternativa concreta. Esse movimento pode nascer da oportunidade, quando há uma ideia com potencial de mercado, ou da necessidade, quando o empreendedorismo surge como saída diante da falta de emprego ou de renda suficiente.
A Taxa de Empreendedorismo Potencial do Brasil ficou em 45%. Esse indicador mede a proporção da população adulta que ainda não é dona de empresa, mas pretende abrir um negócio em até três anos. Com esse resultado, o país aparece na sexta posição global nesse recorte. O dado mostra que o interesse por empreender não está restrito a uma parcela pequena da população, mas espalhado por diferentes regiões, idades e perfis econômicos.
Segundo o Sebrae, o desejo de empreender está ligado à criatividade e à determinação do brasileiro. A avaliação da instituição é que novos negócios podem gerar emprego, renda e inclusão produtiva. Do ponto de vista econômico, essa leitura faz sentido quando o empreendedor consegue estruturar uma operação viável, com mercado, gestão, controle financeiro e capacidade de permanecer ativo.
O desafio está justamente na sobrevivência. Muitos brasileiros começam negócios pequenos sem capital suficiente, sem plano comercial claro e sem conhecimento básico de gestão. Em atividades de baixa margem, como alimentação, comércio, serviços pessoais, beleza, transporte, manutenção e revenda, qualquer erro de preço, estoque, atendimento ou fluxo de caixa pode comprometer a continuidade da operação.
A pesquisa GEM também aponta que o Brasil manteve a sexta posição global na Taxa de Empreendedores Estabelecidos, com 12,4%. Esse indicador considera a proporção da população adulta que possui um negócio, formal ou informal, com mais de três anos e meio de atividade. Esse dado é relevante porque mostra quantos empreendedores passaram da fase inicial e conseguiram manter a empresa funcionando por período maior.
A diferença entre querer empreender e manter uma empresa aberta é um dos pontos centrais do debate. O país tem forte intenção empreendedora, mas ainda precisa transformar essa disposição em negócios mais sólidos. Para isso, são necessários ambiente regulatório mais simples, educação empreendedora, acesso a crédito adequado, digitalização, orientação contábil e capacidade de vender de forma previsível.
O levantamento ouviu, no Brasil, 2.350 adultos entre 18 e 64 anos. A pesquisa considera diferentes estágios do empreendedorismo. Entre eles estão os empreendedores nascentes, que realizaram alguma ação nos últimos 12 meses para abrir um negócio ou possuem empresa com até três meses de operação; os novos empreendedores, com atividade inicial; e os empreendedores estabelecidos, com mais de três anos e meio de atuação.
Esse recorte ajuda a entender o funil do empreendedorismo brasileiro. Há milhões de pessoas com vontade de abrir uma empresa, uma parcela menor que inicia de fato e outra ainda mais restrita que consegue atravessar os primeiros anos. A etapa inicial costuma ser a mais sensível, porque o empreendedor ainda está testando produto, público, preço, fornecedores e canais de venda.
Para o setor público, o dado da população potencial empreendedora indica uma demanda concreta por políticas de capacitação e simplificação. Não basta estimular a abertura de empresas. É preciso ajudar o empreendedor a entender custo, margem, formalização, tributos, marketing, atendimento, tecnologia e crédito. Sem esse suporte, parte da energia empreendedora pode virar endividamento ou negócios de curta duração.
Para o mercado privado, o número também é expressivo. Bancos, fintechs, plataformas digitais, empresas de software, marketplaces, franquias, consultorias, contadores e fornecedores podem encontrar nesse público uma base grande de clientes. O cuidado está em oferecer soluções compatíveis com a realidade financeira dos pequenos empreendedores, que muitas vezes começam com pouco capital e alto risco.
O Brasil aparece bem posicionado em intenção empreendedora, mas o próximo passo depende da qualidade dessa transformação. Empreender por necessidade pode resolver uma urgência de renda, mas nem sempre cria negócios sustentáveis. Empreender com planejamento, por outro lado, aumenta a chance de gerar emprego, renda recorrente e crescimento local.
O resultado do GEM 2025 mostra que o país tem uma das maiores reservas de energia empreendedora do mundo. O ponto decisivo será converter esse potencial em empresas capazes de sobreviver, vender, pagar impostos, contratar e inovar. O interesse existe em escala. O desafio agora está em reduzir o abismo entre intenção e permanência no mercado.

