Tecnologia vira eixo de crescimento para empresas médias no Brasil

Ranking mostra como energia solar, logística e construção usam gestão digital, inovação e estratégia para acelerar receita e reorganizar operações

por Redação
22/05/2026, 13h05

A tecnologia passou a ocupar posição central na expansão de empresas médias brasileiras que buscam crescer com maior controle operacional, escala e eficiência. Casos citados no ranking Negócios em Expansão 2025, da Exame, mostram como companhias de setores diferentes, como energia solar, logística e construção, avançaram ao combinar digitalização, gestão profissionalizada, investimento em pessoas e novos modelos de negócio.

A categoria especial criada em parceria com a Senior Sistemas reuniu empresas clientes da companhia com faturamento entre R$ 30 milhões e R$ 600 milhões. Segundo o material divulgado, 45 empresas participaram dessa frente, com demonstrativos financeiros avaliados por auditoria contábil. A iniciativa olhou para negócios que cresceram em 2024 e que usaram tecnologia como parte da estratégia de expansão.

Entre os exemplos apresentados está a AXS Energia, empresa criada em 2020 com foco em energia solar por assinatura. O modelo permite que consumidores residenciais e comerciais tenham acesso à energia solar sem instalar placas no próprio imóvel. A empresa conecta clientes a usinas solares e oferece desconto na conta de luz, em uma proposta ligada à geração distribuída e à digitalização do processo de adesão.

A AXS registrou receita operacional líquida de R$ 46 milhões em 2024, avanço de 300% sobre o ano anterior, conforme os dados apresentados no ranking. A empresa opera com plataforma digital própria, voltada a simplificar a entrada de clientes no modelo de energia solar. O caso mostra uma tendência relevante no setor: a energia deixou de depender apenas de grandes obras ou venda tradicional e passou a usar tecnologia para aproximar usinas, consumidores e contratos.

O crescimento da AXS também acompanha a expansão da energia solar no Brasil. Com consumidores atentos ao custo da eletricidade e empresas buscando previsibilidade, modelos por assinatura passaram a disputar espaço com sistemas próprios de geração. A diferença está no formato de acesso: em vez de comprar e instalar equipamentos, o cliente contrata um serviço. Esse tipo de solução depende de plataforma, análise de consumo, gestão de créditos de energia e atendimento digital.

Outro caso citado é o Terca Zilli, terminal logístico localizado em Cariacica, na Grande Vitória. O ativo foi adquirido pelo Grupo Zilli em 2021, após um período de dificuldades e baixa utilização. A partir da compra, o grupo implantou um plano de reestruturação com investimento em infraestrutura, modernização de equipamentos, governança e melhoria da gestão logística.

O Terca alcançou receita de R$ 156 milhões em 2024, crescimento de 63% em relação ao ano anterior. O terminal responde por 20% do faturamento do Grupo Zilli e opera cerca de 16 mil veículos por mês, entre modelos elétricos e a combustão. A operação envolve 300 funcionários diretos e aproximadamente 450 pessoas ligadas às atividades do terminal, segundo as informações divulgadas.

O desempenho do Terca mostra como a logística brasileira ainda tem espaço para ganhos de produtividade quando ativos mal aproveitados passam por gestão estruturada. Em um país com custos elevados de transporte, gargalos portuários e forte dependência de infraestrutura eficiente, terminais bem operados podem gerar resultado expressivo. A tecnologia entra nesse processo como ferramenta para controlar movimentação, reduzir falhas, melhorar processos aduaneiros e dar maior previsibilidade à operação.

A Construtora Elevação também aparece entre os exemplos. Fundada em 1976, a empresa atua em grandes projetos de infraestrutura, com presença em setores como saneamento, óleo e gás e energia. Em 2024, a companhia alcançou receita de R$ 586 milhões, alta de 141% sobre o ano anterior. A expansão foi atribuída à diversificação de mercado, profissionalização da gestão e adoção de estruturas mais robustas de controle de projetos.

No setor de construção pesada, o crescimento depende de capacidade técnica, controle de custos, execução dentro de prazos e gestão de riscos. A Elevação passou a atuar com PMO, sigla usada para escritório de gerenciamento de projetos, e adotou sistemas voltados à mitigação de riscos. Esse tipo de estrutura é importante em obras complexas, nas quais atrasos, falhas de planejamento ou problemas contratuais podem comprometer margens.

Os três casos apontam para uma mudança no perfil de empresas médias que crescem no Brasil. A expansão não ocorre apenas por aumento de vendas. Ela depende de processos mais organizados, dados confiáveis, digitalização, gestão financeira, controle operacional e capacidade de tomar decisões com base em indicadores. Em setores competitivos, crescer sem estrutura pode gerar perda de margem, aumento de passivos e dificuldade para manter qualidade.

A presença da Senior Sistemas na categoria também indica a força do mercado de softwares de gestão. Empresas que passam de determinado porte precisam integrar áreas como financeiro, estoque, compras, contratos, produção, logística, projetos e atendimento. Sem sistemas adequados, a operação tende a ficar dependente de planilhas, retrabalho e informações dispersas.

O avanço da tecnologia nas empresas médias brasileiras também tem efeito sobre competitividade. Negócios que organizam dados, automatizam processos e acompanham indicadores conseguem responder com mais rapidez a mudanças de mercado. Isso vale para energia, logística, construção, varejo, indústria e agronegócio. A tecnologia, nesse caso, não aparece como discurso abstrato, mas como ferramenta para reduzir custo, escalar operação e melhorar controle.

Ao mesmo tempo, a adoção tecnológica exige disciplina. Investir em sistemas sem revisar processos pode gerar pouco resultado. Empresas que crescem de forma sustentável costumam alinhar tecnologia com estratégia, treinamento de equipes, governança e metas claras. O software ajuda, mas não substitui gestão.

A leitura econômica dos casos mostra que o crescimento de empresas médias pode vir de caminhos diferentes. A AXS Energia cresceu com um modelo digital de acesso à energia solar. O Terca Zilli avançou ao recuperar e modernizar um terminal logístico. A Construtora Elevação expandiu com diversificação e controle mais sofisticado de projetos. Em comum, todas buscaram eficiência, escala e estrutura para sustentar o avanço.

Para o mercado brasileiro, esse tipo de movimento tem relevância porque empresas médias costumam gerar empregos, contratar fornecedores, ocupar nichos regionais e criar soluções em setores de alta demanda. Quando esses negócios conseguem crescer com gestão profissional, o impacto se espalha pela cadeia econômica.

O ranking também mostra que inovação não está restrita a startups ou grandes companhias listadas em bolsa. Empresas de infraestrutura, logística e energia podem inovar ao reorganizar processos, criar plataformas digitais, melhorar governança e usar dados para operar melhor. Em muitos casos, esse tipo de inovação é menos visível, mas tem impacto direto no caixa.

O desafio será manter o crescimento em um ambiente de juros, concorrência e pressão por produtividade. Empresas que avançaram em 2024 precisarão preservar margem, evitar endividamento excessivo e sustentar qualidade operacional. O uso de tecnologia pode ajudar nesse processo, desde que venha acompanhado de gestão rigorosa e leitura realista do mercado.

Os exemplos reunidos no Negócios em Expansão 2025 indicam que a próxima etapa das empresas médias brasileiras passa pela combinação entre estratégia, digitalização e execução. Crescer continua sendo importante, mas crescer com controle passou a ser decisivo.

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